25 dezembro 2016

observatório









Coloquei, de enfeite, um boneco de Papai Noel em cima do aparelho de som. Boneco de pano. Não faz nada. Nem emite sons quando pressiono seu peito. Algumas pessoas são assim. Não emitem sons. E por vontade própria. Porém, quando emitem, Meu Deus, como teria sido melhor se tivessem ficado caladas! Voz não é coisa de todo mundo. Nem palavra. Gesticule, na dúvida. Mas não fale nada se for para dizer bobagem ou estragar festa que não é sua. O boneco do Papai Noel é elegante. Ele não me atrapalha a vida. Ele não se mete comigo e eu não me meto com ele. Isso é respeito. Companheirismo que em casamento se dá. Tento respeitar todo mundo. Tanto os conhecidos, quanto os inapropriados que surgem. Elogio quando acredito ser preciso o fino tom. E minha crítica, embora digam ser ácida, vive de chá de camomila e florais. Minha crítica tem 40 anos nas costas, nos dedos, olhos e corpo inteiro. Ela sabe se comportar. O ruim ocorre quando ela decide agir por conta própria e sai falando a torto e direito. Quando me acontece de perder controle de minha crítica, me tranco. Volto ao aquário. Fico de cara colada no vidro, o peixe colorido, observando o mundo vulgar. Assim como o boneco de pano que enfeita a caixa de som, quando me excedo, viro enfeite. E ajo conforme demanda. Não esbravejo e não causo encrenca. Quando preciso calar, escrevo.









2 comentários:

Luis Eme disse...

E que bem escreves nos teus silêncios, Letícia.

Helena G.S.R disse...

Realmente, também considero alguns silêncios bem apreciados.

Beijos!
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