01 abril 2010

quadro mudo





Na parede onde antes quadro havia
Ao zombar da imensidão vazia
Um prego torto desperta
O incômodo de vidas partidas.
Ausente da inebriante espera,
O tranquilo homem alveja,
Com olhares sábios de guerra,
Palavras inimigas alheias.
E não somente a parede emudece,
Muda harmoniosa lhe aborrece a verve
Maluca mordaz inquieta,
Desconcerta a vida secreta,
Do ingênuo homem que erra.
E ao zombar rindo-se do outro,
Que dentro de si vive em urgências,
Calado pálido irrevogável
Homem esfinge de farpas,
Adormece emoldurado pelo tempo.





Image by robrey

7 comentários:

Zélia disse...

E lá vem ela com mais um poema... Hummm! E fazemos poesia porque cuidamos e arrumamos palavras para expressar vida. Portanto, pode tirar aquela interrogaçãozinha no seu marcador: "poesia?". Eu declaro que se trata de poesia e pronto!

E olha, é engraçado como, às vezes, nós mesmos - para não falar só do outro - nos permitimos adormecer e emoldurar pelo tempo enquanto há vida lá fora...

Elis disse...

Lindo poema para o meu café da manhã!Já que tenho o ótimo hábito de degustar blogs logo cedo!
Abraço
Elis.

Leonardo B. disse...

[há sangue alquímico dentro da palavra]

um imenso abraço, Letícia

Leonardo B.

Jaqueline disse...

e algumas. bem poucas. coisas. não podem mudar...

beijos bonita!

Germano Xavier disse...

Não te preocupes muito com o ritmo, a cadência da poesia é livre, deve ser assim. Solta a palavra ladeira abaixo e deixa ver o que acontece. Segue mais a linha da ideia, que o verso depende do que diz para viver. O poema nas mãos de uma mulher não carece de nada. Escreve, escreva.

Thomaz Ribeiro disse...

Antes do homem ser lobo do homem. Ele é lobo de si mesmo.

Devir disse...

Poesia não é reta nem predisposta a regramentos. O poeta não se anuncia nem tem verso premeditado. É assim liberto mesmo, aprende a rimar toda vez que arrebatado for por uma emoção multicor.